Halving: Quando o Código Programa Escassez
Como o Bitcoin resolve problemas que o setor energético conhece bem
O Dia em Que o Preço do Petróleo Virou Piada
Abril de 2020. Pandemia. Mundo parado.
Eu estava em casa, trabalhando 10-12 horas por dia, todos os dias, lidando com a incerteza sobre minha sobrevivência e a da empresa. Num determinado dia, não acreditei no que vi: o petróleo de referência WTI1 estava negociando a -$37,63 por barril.
Sim, preço negativo.
Produtores pagando para alguém levar o petróleo embora. Porque não havia demanda, não havia onde estocar, e parar uma operação de produção é tecnicamente complexo e economicamente desastroso.
Naquele momento, pensei:
“Dedicamos décadas desenvolvendo tecnologia para extrair energia das profundezas da Terra — investimos bilhões em projetos gigantescos como o pré-sal — e, de repente, o produto final não vale nada. Na verdade, vale menos que nada.”
A brutal verdade da energia física: ela só tem valor quando, onde e se alguém precisar dela.
Este texto não é sobre abandonar petróleo para investir em Bitcoin. É sobre algo mais interessante: como o Bitcoin resolve problemas estruturais que todos nós, do setor energético, conhecemos bem — desperdício, intermitência, falta de mercado para energia excedente.
E como o mecanismo do halving garante algo que nunca conseguimos com commodities físicas: escassez programada e transparente.
O Que É Halving — Para Quem Pensa em Curvas de Produção
Se você trabalhou com reservatórios de petróleo, conhece bem as curvas de declínio de produção.
No início do projeto, há um grande ramp-up: pressão natural do reservatório empurrando o óleo. Com o tempo, o declínio vem — normalmente uma taxa de 5-8% ao ano, dependendo do campo.
Exemplo: Campo de Sapinhoá (pré-sal da Bacia de Santos)
Descoberta: 2006
Primeira produção comercial: Janeiro/2013
Pico de produção: 2016-2018
Início de declínio: 2023
Futuro: declínio inevitável até deixar de ser comercialmente viável
Você tenta compensar com novas perfurações, recuperação avançada (água, gás, polímeros), revitalização de poços. Mas a física não negocia: reservatórios finitos produzem menos ao longo do tempo. E a curva de demanda por energia só aumenta.
O grande risco? Alinhar o pico de produção com o pico de demanda e preço do mercado.
Agora compare com o Bitcoin:
O halving não é um declínio acidental. É um declínio programado, matemático e transparente.
Hoje (outubro de 2025): 3,125 BTC por bloco (~10 min)
Próximo halving (2028): 1,5625 BTC por bloco
2032: 0,78125 BTC por bloco
2140: última fração sendo minerada
A diferença fundamental:
No petróleo: você tenta frear o declínio com tecnologia e capital
No Bitcoin: o declínio é o protocolo — e não há tecnologia que aumente o supply
É como se o Campo de Búzios ou de Tupi2 tivesse sido criado sabendo exatamente:
Quantos barris totais existem (21 milhões)
Quanto será extraído a cada ano
Quando a produção cairá pela metade
E mesmo que o preço explodisse, não haveria nada que você pudesse fazer para mudar as regras
Transparência absoluta. Escassez verificável. Código imutável.
Sobre as Taxas de Transação
Além dos 3,125 BTC fixos, os mineradores recebem taxas pagas pelos usuários para incluir transações no bloco. Essas taxas variam conforme a demanda da rede — em momentos de alto uso, podem somar 0,5-2 BTC por bloco; em momentos normais, ficam em 0,1-0,3 BTC.
Com o tempo, à medida que a recompensa fixa diminui, as taxas se tornarão a principal fonte de receita dos mineradores. É assim que a rede foi pensada para se sustentar no longo prazo — economicamente viável mesmo quando não há mais emissão de novos bitcoins.
Histórico dos Ciclos — Os Dados Contam Uma História
Aqui está o que aconteceu em cada halving:
* Máximo atingido até outubro de 2025. O próximo halving só ocorrerá em 2028.
Padrão consistente:
Retornos decrescentes (lei dos grandes números — mercado maturando)
Mas ainda assimétricos vs qualquer classe de ativo tradicional
Timing: máximo ocorre ~12-18 meses pós-halving
A tendência é clara: multiplicadores diminuindo, volatilidade caindo, adoção crescendo. É o processo natural de um ativo se tornando reserva de valor global.
Quando vi essa tabela pela primeira vez, lembrei de ciclos de commodities que já vivi.
Superciclo do petróleo (2003-2008):
Brent saiu de $25 para $147
“Todo mundo sabe que vai subir, mas mesmo assim sobe”
Fundamentos + momentum + FOMO institucional
Crash de 2014-2016:
Brent caiu de $115 para $27
Projetos cancelados, empresas quebraram
Quem segurou e recomprou no fundo multiplicou patrimônio
A diferença no Bitcoin?
No petróleo, você não sabe:
Quanto de reserva realmente existe (estimativas, não certezas)
Quando novas descobertas vão entrar
Se tecnologia vai mudar a oferta (xisto, pré-sal)
Que decisões políticas afetarão o preço (OPEC, sanções)
No Bitcoin, você sabe tudo:
Supply total: 21 milhões
Emissão atual: 3,125 BTC a cada ~10 min
Próximo halving: 2028 (bloco 1.050.000)
Taxa de inflação: caindo para ~0,8% ao ano
É o primeiro ativo da história em que a oferta é totalmente transparente, auditável e imutável. É o cenário sonho de consumo para quem tem a árdua missão de fazer curvas de previsões preços de petróleo. Para Petróleo e Gás, praticamente tudo é variável e com pouco — ou quase nenhum — controle de nossa parte.
O Halving Ainda Importa? (A Resposta Surpreendente)
Aqui vai um insight contra-intuitivo: o halving já foi o principal driver de ciclos. Hoje, seu impacto relativo diminuiu — mas os fundamentos que ele representa permanecem absolutos.
Bitcoins minerados por dia (out/2025):
144 blocos/dia × 3,125 BTC = 450 BTC/dia
Aproximadamente $57 milhões/dia (a $126k/BTC)
Volume transacionado diariamente (out/2025):
Exchanges centralizadas: ~$30-50 bilhões/dia
Volume on-chain: ~$5-15 bilhões/dia
Total: ~$35-65 bilhões/dia
Proporção: A nova oferta diária representa menos de 0,2% do volume transacionado. Para fins de comparação, em 2013, a quantidade de novos bitcoins emitidos chegou a representar 14,4% de todo o volume transacionado.
Há 10 anos, quando poucos conheciam Bitcoin e o volume era baixo, os 3.600 BTC minerados por dia (25 BTC/bloco × 144 blocos) representavam boa parte da oferta disponível. O halving tinha impacto direto e imediato.
Hoje, com ETFs institucionais (BlackRock, Fidelity), adoção corporativa (MicroStrategy, Tesla), e mercados globais 24/7, os 450 BTC diários são uma fração minúscula.
Então o halving perdeu importância?
Você vai encontrar diversos analistas dizendo que o halving perdeu a importância, mas aqui vou dar minha visão clara sob a ótica de quem avalia o Bitcoin como energia, física, matemática, confiabilidade. Não. O halving não perdeu a importância, mas mudou de natureza.
Antes: Impacto direto na oferta disponível
Hoje: Sinalização de escassez crescente + narrativa de longo prazo + lembrete de fundamentos
O halving continua importante não pelo impacto imediato, mas pelo que ele representa: escassez programada, previsível e inviolável. Uma prova de que o algoritmo programado segue sendo executado.
Bitcoin Como Solução Para Desperdício Energético
Aqui começa a parte que realmente importa para quem trabalha com energia.
Durante anos, ouvi críticas sobre “desperdício de energia” na mineração de Bitcoin. Mas veja a ironia:
Rede Bitcoin (2025):
Consumo: ~150 TWh/ano
Securiza: ~$2,5 trilhões em valor de rede
Resultado: Rede monetária global, 24/7, sem intermediários
Desperdício energético global atual:
Para contexto:
Consumo global de eletricidade (2023): ~27.000 TWh
Mineração de Bitcoin (2024): ~150 TWh (~0,5% do global)
Desperdício atual > 10x o consumo de Bitcoin
A Verdadeira Pergunta
Qual é o “desperdício”?
Queimar gás em tocha porque não há como escoá-lo? Ou usar esse gás para minerar Bitcoin e transformá-lo em valor estocável?
Desligar painéis solares no meio do dia porque a rede não aguenta o oversupply? Ou usar essa energia para minerar Bitcoin?
Bitcoin não compete com outras demandas de energia. Bitcoin consome energia que, de outra forma, seria desperdiçada.
Casos Reais: Bitcoin Resolvendo Problemas Energéticos
Vou compartilhar exemplos concretos de como Bitcoin já está sendo usado para resolver problemas que conhecemos bem. Ao longo dos próximos meses, buscarei trazer detalhamentos de negócio de casos parecidos. Por enquanto, a ideia é mostrar para você leitor, líder, tomador de decisões e desenvolvedor de negócios, que as oportunidades são infinitas e há uma assimetria absurda no tema. Alguns grupos já entenderam essa oportunidade.
Texas (ERCOT) — Balanceamento de Carga
O problema da ERCOT3:
Rede isolada, sem interconexão com outros estados
Alto percentual de eólica (intermitente)
Períodos de frio intenso (alto uso para aquecimento)
Períodos de calor extremo (alto uso de ar-condicionado)
Cenário: praticamente impossível de resolver sem desperdiçar energia ou ter infraestrutura superestimada
A solução com Bitcoin:
Mineradores atuam como “carga flexível”
Aumentam consumo quando há oversupply
Desligam quando há escassez (recebem por isso)
Resultado: Bitcoin ganhou certificação CLR4 (Controllable Load Resource) no Texas — o único tipo de carga com essa certificação
Islândia — Energia Geotérmica Excedente
100% energia renovável (geotérmica + hidrelétrica)
Produção excede demanda local
Ilha isolada: não pode exportar energia
Solução: Mineradores usam energia excedente que não tinha mercado
Clima frio natural reduz custos de resfriamento
Transforma energia sem mercado local em valor global
Canadá (Quebec) — Hidrelétrica Excedente
Produção hidrelétrica excede demanda local
Dificuldade de exportar (linhas de transmissão limitadas)
Solução: Mineradores consomem excedente que seria desperdiçado
Geram receita para Hydro-Québec sem construir nova infraestrutura
Noruega — Integração com Eólica
Mineradores se instalam próximos a wind farms isolados
Consomem energia nos períodos de alta produção/baixa demanda
Fornecem receita garantida para projetos eólicos
Viabilizam expansão de renováveis em áreas remotas
Austrália — Solar Curtailment
Sul da Austrália tem alto curtailment5 solar no meio-dia
Solução: Mineradores aumentam consumo exatamente quando há oversupply solar
Reduzem pressão na rede durante pico de produção
Estabilizam preços de energia
A Grande Diferença: Energia Consumida vs. Energia Preservada
Aqui está uma diferença fundamental que mudou minha perspectiva:
No petróleo e gás:
Você transforma energia (eletricidade, diesel, tecnologia) em hidrocarbonetos. Esse produto:
Tem valor instantâneo — quando e onde há demanda
Degrada com o tempo — não dá para estocar gasolina indefinidamente
É consumido uma vez — queimou, virou CO₂ + movimento + calor
A energia gasta para extrair desaparece para sempre
No Bitcoin:
Você transforma energia elétrica em prova de trabalho criptográfica. Esse produto:
Tem valor permanente — não expira, não degrada
É verificável instantaneamente — qualquer um pode auditar
Pode ser transacionado infinitamente — sem “consumir” a energia que o criou
Preserva valor no tempo — a energia gasta fica “congelada” no ativo
Metáfora física:
Petróleo é como energia potencial que vira cinética e depois calor (dissipa).
Bitcoin é como energia potencial que vira massa (E=mc²) — permanece.
A Ironia Histórica Mais Deliciosa
Em 2013, a então presidente Dilma Rousseff disse, em rede nacional:
“Muita gente diz: ‘Mas o vento... tal dia não tem vento, então você tem que ter energia de outra fonte.’ Tem que ter outra fonte. Mas vamos estocar vento. Como é que se estoca vento? Baterias.”
A frase virou meme. Foi ridicularizada. Mas a intuição estava correta.
O problema da energia renovável (eólica, solar):
É intermitente (só produz quando há vento/sol)
É difícil de transportar (precisa de linhas de transmissão)
É difícil de estocar (baterias são caras, pesadas, com vida útil limitada)
Bitcoin resolve exatamente isso.
Ao invés de “estocar vento em baterias”, você:
Usa a energia excedente para minerar Bitcoin
O Bitcoin é a bateria (energia congelada em forma digital)
Vende quando precisar (liquidez global 24/7)
Custo de armazenamento: zero
É a solução para o problema que ela identificou — só que ninguém estava pronto para entender.
Hoje, usinas eólicas no interior do Brasil, do Texas, da Noruega, estão usando energia que seria perdida (curtailment) para minerar Bitcoin.
Quem entendeu está transformando vento, sol e gás em dinheiro. Literalmente.
Bitcoin Como Consumidor Universal de Energia
Aprendi, ao longo de 20 anos, que energia não tem valor intrínseco — ela só vale quando, onde e se alguém precisar dela.
Por isso:
Hidrelétricas vendem energia barato de madrugada (demanda baixa)
Campos de gás natural não são desenvolvidos por falta de escoamento
Petróleo já teve preço negativo (ninguém tinha onde armazenar)
Energia física é abundante. Coordenação é escassa.
Bitcoin inverte essa lógica:
Ao invés de levar energia até onde há demanda (linhas de transmissão, oleodutos, navios), você leva a demanda até onde há energia (mineração).
Qualquer fonte de energia — qualquer — pode ser transformada em Bitcoin:
Gás natural que seria queimado em tocha
Hidrelétrica isolada na Amazônia
Solar em área desértica
Eólica em alto-mar
O Bitcoin é o primeiro “comprador universal” de energia.
O Bitcoin compra e transforma essa energia em um ativo que não degrada, não precisa de transporte físico, tem liquidez global instantânea e preserva valor no tempo.
O Timing Impossível: 8 Anos vs. 10 Minutos
Outra diferença importante:
Projetos de petróleo (upstream): Discovery → FID6 → First Oil: normalmente 8-12 anos
O problema do timing:
Quando você descobre o campo, o Brent está a $100
Quando você investe, o Brent está a $60
Quando você produz, o Brent está a $40
Você não controla o preço de venda, a velocidade de aprovação ambiental, a dinâmica geopolítica, ou a disponibilidade de sondas e FPSOs.
E você não pode estocar.
Se está no pico produtivo mas o preço está ruim... você está preso. Parar produção é complexo e economicamente pior. Você produz, vende barato, e torce para o ciclo virar.
No Bitcoin:
Decisão de minerar → Produção: dias (comprar ASICs, plugar, começar)
Preço caiu? Você pode:
Desligar operação (sem custos complexos de shutdown)
Continuar minerando e estocar (self-custody)
Aguardar melhores condições de mercado
Vender quando fizer sentido
Não há pressão de consumo imediato.
Petróleo precisa ser vendido rapidamente. Bitcoin? Pode ficar em cold storage por décadas. Custo: zero.
A Integração Natural: Mineração Como Derivação das Empresas de Energia
Aqui está minha visão sobre o futuro:
Apesar de hoje a indústria da mineração de Bitcoin existir por si só, acredito que, por uma questão lógica, no longo prazo, essa indústria será necessariamente uma derivação dentro das empresas de energia.
Por quê?
O Problema Atual das Empresas de Energia
Liabilities altíssimos:
Desperdício de energia (flaring, curtailment)
Questões ambientais (emissões, multas, licenças)
Projetos inviabilizados por falta de mercado local
Custos de transmissão e distribuição
Impossibilidade de monetizar energia em horários/locais específicos
Campos de gás que não são desenvolvidos porque não há como escoar. Hidrelétricas que não são construídas porque estão longe do mercado. Renováveis que são desligadas porque a rede não aguenta.
O custo de oportunidade é gigantesco.
Bitcoin Inverte o Cenário
Bitcoin permite que empresas de energia:
Monetizem cenários que hoje tiram valor do negócio
Gás que seria queimado em tocha → mineração
Energia solar/eólica em curtailment → mineração
Hidrelétricas isoladas → mineração local
Viabilizem negócios inteiros que hoje não fazem sentido
Campos de gás sem infraestrutura de escoamento
Projetos renováveis em áreas remotas
Expansão de capacidade sem risco de oversupply
Criem receitas adicionais sem novos investimentos
Infraestrutura existente
Energia excedente já disponível
Apenas adiciona containers com ASICs
Reduzam impacto ambiental
Menos flaring
Melhor utilização de renováveis
Incentivo para expansão limpa
A Lógica Inevitável
Pense assim: se você é uma empresa de energia e:
Tem energia excedente em determinados horários
Tem gás que seria queimado
Tem projetos que não se pagam por falta de mercado
Por que você deixaria outra empresa capturar esse valor?
A mineração de Bitcoin se tornará uma operação natural dentro das empresas de energia, assim como:
Geração distribuída
Armazenamento em baterias
Sistemas de demand response
Não será uma indústria separada. Será uma ferramenta de otimização de portfólio energético.
O Caminho Já Começou
Empresas de energia já estão explorando isso:
ExxonMobil minerando com gás de flare
ConocoPhillips testando mineração em operações de O&G
Equinor estudando integração com projetos eólicos
Crusoe Energy (EUA) nasceu exatamente para isso
No Brasil, ainda estamos no início. Mas a lógica é clara: empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva significativa.
Conclusão — O Código Faz o Que a Geologia Nunca Conseguiu
Durante duas décadas, trabalhei para extrair energia da Terra e distribuí-la da maneira mais eficiente possível.
Aprendi a respeitar a geologia, a física dos reservatórios, a engenharia de produção. Mas também aprendi que recursos físicos são finitos, opacos e imprevisíveis.
Você pode estimar reservas. Otimizar produção. Adiar o declínio.
Mas não pode programar escassez.
Bitcoin é o primeiro ativo da história que faz exatamente isso:
✓ Escassez absoluta (21 milhões)
✓ Emissão previsível (halving a cada 4 anos)
✓ Auditável por qualquer um (blockchain pública)
✓ Protegido por energia + criptografia
✓ Sem intermediários, sem autoridade central, sem exceções
O halving não é apenas um evento de mercado. É um lembrete de que, pela primeira vez na história, conseguimos programar escassez — e transformar energia em valor que não se dissipa.
Para Quem Trabalha Com Energia
Este texto não é um convite para abandonar petróleo ou energia tradicional. É um convite para expandir a visão sobre o que fazemos.
Nós extraímos, geramos, transmitimos e distribuímos energia. Mas sempre esbarramos no mesmo problema: energia sem demanda imediata não tem valor.
Bitcoin resolve isso. E resolve de uma forma que se integra perfeitamente com nossa operação atual.
A questão não é “Bitcoin ou energia tradicional”.
A questão é: “Como usar Bitcoin para otimizar nossas operações energéticas?”
Para Quem Já Tem Bitcoin
Halving não é gatilho de compra/venda. É consenso entre analistas sérios que o halving não é mais uma variável importante para ditar preço no curto prazo.
Mas a certeza de que os halvings acontecerão conforme programado é uma das maiores validações dos fundamentos do Bitcoin que temos.
A rede continua funcionando. O código continua executando. A escassez continua absoluta. 24/7. Do jeito que foi programado. Há quase 17 anos.
E tudo indica que continuará assim por décadas e séculos.
O resto é ruído.
O Próximo Passo
Se você chegou até aqui, provavelmente está pensando o mesmo que eu pensei quando entendi isso pela primeira vez:
“Por que ninguém no setor de energia está falando sobre isso?”
A verdade é que estão — mas ainda em círculos pequenos. Enquanto isso, empresas nos EUA, Canadá e Europa já estão capturando esse valor.
No Brasil, ainda estamos no início dessa curva.
O que você pode fazer agora:
1. Se você trabalha em energia:
Identifique onde sua empresa desperdiça energia (flaring, curtailment, capacidade ociosa)
Calcule quanto isso representa em valor não capturado
Comece conversas internas sobre Bitcoin como ferramenta de otimização energética
2. Se você investe ou está considerando investir em Bitcoin:
Entenda que não está comprando “moeda digital”
Está comprando energia estocável, com escassez programada
O próximo halving é em 2028 — ainda há muito a acontecer neste ciclo
3. Se você quer aprender mais:
Assine a Joule BTC — toda semana exploro a interseção entre energia, engenharia e Bitcoin.
Uma promessa:
Não vou te vender curso. Não vou te prometer “ficar rico rápido”. Eu já tenho uma boa fonte de renda em meu trabalho como executivo e decisor no mercado de petróleo e gás natural.
Vou te mostrar, com dados e fundamentos de engenharia, por que Bitcoin é a solução mais elegante que já vi para problemas que enfrentamos há décadas no setor energético.
Depois de 20 anos resolvendo equações de fluxo multifásico e otimizando reservatórios, encontrei algo que finalmente faz sentido do ponto de vista termodinâmico e econômico. Meu propósito é levar essa visão para quem toma as decisões mais importantes no dia a dia.
Se isso ressoa com você, junte-se a essa jornada.
👉 Assine gratuitamente a Joule BTC e receba os próximos artigos direto no seu email.
P.S.: Se você tem acesso a energia excedente, gás de tocha, ou opera em locações remotas, entre em contato. Tenho conversado com vários profissionais do setor sobre viabilidade de projetos específicos. Pode ser que sua operação seja candidata perfeita.
Email: joule@joulebtc.com
LinkedIn: Joule
X/Twitter: @joulebtc
Até a próxima extração,
Joule
Engenheiro de Petróleo | 20 anos em O&G | Explorando o Bitcoin como próxima infra
WTI (West Texas Intermediate): Um dos principais índices de referência para precificação de petróleo no mercado global, junto com o Brent. O WTI é um tipo específico de petróleo leve e doce extraído principalmente no Texas, Oklahoma e Dakota do Norte (EUA). Serve como benchmark para contratos futuros negociados na NYMEX (New York Mercantile Exchange) e influencia preços de petróleo em todo o continente americano
Os Campos de Búzios e Tupi são, atualmente os dois maiores Campos produtores do Brasil. Tupi também já foi conhecido como Campo de Lula. Após decisão judicial, a Petrobras teve que alterar o nome do Campo e escolheu chamá-lo de Tupi (nome original do prospecto na época ainda exploratória)
A ERCOT (Electric Reliability Council of Texas) é o operador independente do sistema elétrico do estado do Texas (EUA). Ela gerencia a transmissão e distribuição de energia elétrica para cerca de 90% da carga elétrica do estado, supervisionando o equilíbrio entre geração e consumo em tempo real, e administrando o mercado atacadista de energia elétrica texano.
CLR (Controllable Load Resource) e Load Balance: Load balance (balanceamento de carga) é o equilíbrio dinâmico entre geração e consumo de energia em uma rede elétrica. Quando há excesso de geração (ex: muito vento à noite), preços caem ou ficam negativos. Quando há escassez (ex: pico de calor), preços explodem. Cargas tradicionais (residências, indústrias) não conseguem ligar/desligar rapidamente. Bitcoin é diferente: mineradores podem aumentar ou reduzir consumo em segundos, ajudando a estabilizar a rede. No Texas, a certificação CLR reconhece essa capacidade única — mineradores desligam durante emergências e são compensados por isso, funcionando como uma “bateria virtual” que absorve excesso e libera capacidade quando necessário.
Curtailment (Corte/Desperdício de Energia Renovável): Quando painéis solares ou turbinas eólicas precisam ser desligados ou reduzidos apesar de estarem produzindo energia, porque a rede elétrica não consegue absorver toda a produção. Acontece principalmente em regiões com alta penetração de renováveis e pouca capacidade de armazenamento ou transmissão.
FID (Final Investment Decision): Momento crítico em projetos de petróleo e gás em que a empresa decide oficialmente investir bilhões em desenvolvimento. É quando o projeto passa de estudos e exploração para execução real — contratação de sondas, FPSOs, oleodutos, etc. Tipicamente ocorre após anos de estudos de viabilidade, negociações com governo, aprovações ambientais e securitização de financiamento. Uma vez tomada a FID, não há mais volta: o capital está comprometido.


